quarta-feira, 20 de julho de 2011

   O silêncio noturna-me. Um barulhinho de carro. Alguém chegou? Quero estar sozinho. Ninguém chega. O mofo cresce  nas cavidades. O monstro medra no fundo raso do meu medo. Sou cobra-cega rastejando veredas. Vou tateando o escuro com meu corpo comprido. Meu sopro fundo de hálito antigo. Minha boca há muito que não diz palavra. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Doença Malagueta

Vamos escrever um livro. Escrevo um livro há tempos. Escrevo nas linhas grisalhas dos cabelos. Palavra enfileirada nas unhas e nos pés. Nos dedos longos, desfilam nas fibras dos pêlos. Se esticam em filamentos. Nos neurônios e no vento. Palavras salivando na boca. Saltam pela pele e chegam nas nervuras. Pulam, rodopiam, brotam como pintas. Espalham-se feito sarna. Doença malagueta. Tilinta de noite entre o ouvido e o cabelo. Não há escape. Doutor diz que é hereditário. E mais uma palavra me corrompe. Coça no céu da boca. Alergia crônica. 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

vazio agudo
ando meio cheio
de tudo
                        
                             p. leminski

terça-feira, 14 de junho de 2011

Daqui a pouco prova de educação. A gora um barulho irritante. Queria ter casa. Queria ter fogo. Daqui a pouco o depois de agora. Agora a prova de mais tarde, o problema no banco, as férias de inverno. Antes um barulho infernal, um telejornal, casa com muita poeira. Agora o depois de antes. Minha mãe chegando, o cachorro pequeno, poemas na parede e no ar. Antes, agora e depois, nunca. Sempre.

Clipe bonito.
cri-cri